Construir com terra crua é uma tradição de longa data em Portugal. A combinação com novas técnicas e materiais de construção, como os fardos de palha e os telhados verdes, assim como com a arquitectura solar torna possível a existência de uma arquitectura actual, com design futurístico, cúpulas e arcos, e ao mesmo tempo, assegurar o conforto de uma vida moderna. Construir com taipa e palha é uma alternativa que poupa dinheiro e força humana, proporciona uma boa ambiência interior e combina saberes antigos com técnicas modernas.
As paredes do Auditório de Tamera têm 8 metros de altura. Com os seus 300 lugares, o Auditório do Centro de Pesquisa para a Paz é o maior edifício construído em fardos de palha e argila da Península Ibérica. Com o seu telhado 'verde' e as paredes exteriores cores de terra enquadra-se de uma forma harmoniosa na paisagem – como se tivesse um disfarce de invisibilidade. Quando os visitantes entram neste espaço ficam surpreendidos pela sua grandeza. As madeiras no interior do edifício e as suas proporções adequadas dão-lhe um ar de magnificência.
«Quase como uma catedral», exclama um dos visitantes que veio propositadamente de Lisboa.
O Auditório consiste num edifício com estrutura de madeira à qual foram empilhados fardos de palha, e posteriormente rebocados com argila, de ambos os lados. Na parede externa a argila, foi misturada com cal para a proteger da chuva. O telhado é verde: relva e plantas crescem nele, tornando-o tão verde como a paisagem à sua volta.
«Por quanto tempo pode durar uma casa como esta?» pergunta um dos visitantes com alguma ansiedade. «Desde que não ocorram danos mecânicos: para sempre,» diz o professor Minke a sorrir. Ele já ouviu muitas perguntas deste tipo.
Ao longo dos seus 71 anos de vida, construiu centenas de casas na América do Sul, África e Alemanha. Ele já mora na sua própria casa há 14 anos, tendo sido construída por si próprio em terra e palha. «Porquê fardos de palha?» os visitantes querem saber. «Por duas razões», responde o professor Minke. «Construir com fardos de palha é muito mais rápido porque são grandes. Isto poupa custos de mão-de-obra. A segunda é pela sua qualidade de isolamento acústico. Mas», acrescenta ele, «têm de saber faze-lo».·
No seu Laboratório de Investigação de Construções Experimentais, em Kassel, ele e a sua equipa já alcançaram numerosos progressos na construção com fardos de palha, argila e telhados verdes. Tamera tornou-se para ele um local de experimentação das novas técnicas.
Uma delas é a «Casa dos três arcos»: a primeira construção em todo o mundo, feita em fardos de palha, completamente auto-sustentada. Os arcos da casa foram construídos sem qualquer estrutura de madeira, mas apenas com fardos de palha. Especialmente para isso, o seu Laboratório desenvolveu uma máquina que corta cada fardo de palha com o ângulo necessário.
Outra casa que os visitantes podem visitar é a «Casa Hogan» – um estilo de construção indiano, em madeira, com uma clarabóia piramidal no centro. «Estas casas são à prova de terramotos?» alguém pergunta. «Na Guatemala construí casas como esta especialmente para zonas de risco de terramotos, uma vez que são as construções mais seguras que existem. A madeira é elástica, e os fardos de palha acompanham os movimentos.
A única coisa que acontece é que o reboco das paredes cai.»
As casas em fardos de palha são também à prova de fogo.
O professor Minke apenas constrói casas com telhados verdes. Em Portugal são ainda raras. «Contudo, temos bons resultados com eles», testemunha Beate Möller, arquitecta em Tamera.
«Apenas tivemos de regar o nosso grande telhado do Auditório no primeiro ano. Nesta altura, as plantas ficarão amarelecidas no Verão, mas com as primeiras chuvas voltam a ficar verdes. Os telhados verdes têm excelentes qualidades de isolamento térmico. A temperatura dentro das casas com telhados verdes é sempre confortável.»
O professor Minke e a arquitecta Beate Möller estão convencidos de que estas duas inovações – construção com fardos de palha e telhados verdes – podem enquadrar-se perfeitamente na paisagem do Alentejo.







