(copy 2)

Political Network

Patch Adams em Tamera

Parar a violência ultrapassando a solidão, a doença global do nosso tempo

artigo escrito por Leila Dregger

Aeroporto de Lisboa. O homem alto com as roupas coloridas de palhaço e o longo rabo de cavalo de cabelos grisalhos – metade deles pintados de azul brilhante – faz parar. A senhora no ponto de controle dos passaportes devolve-lhe os seus documentos com um ar sério e agradece. Ele olha-a nos seus olhos. „ Não, sou eu que tenho de lhe agradecer pelo seu trabalho incansável que faz aqui, dia após dia. Diga-me por favor como posso agradecer-lhe?“ Atrás dele forma-se uma fila, as pessoas esperam. Sentindo que ele não se afastará sem que ela diga algo de concreto a senhora sugere: „Talvez sendo apenas feliz?“ Patch considera esta proposta por um segundo. „Sim, vou fazer isso“, responde ele seriamente. „E você? Pode prometer o mesmo?“. Como uma nuvem a sair do sol, o ar grave de todos os dias desaparece do rosto da senhora e dá lugar a um sorriso do seu olhar: „Sim, prometo“.

Patch Adams, o famoso médico-palhaço norte-americano chegou a Portugal. Ele veio participar na Conferência da Páscoa em Tamera, no Alentejo, e nas duas horas de viagem de comboio de Lisboa até à Funcheira, usa mil e uma maneiras de entrar em contacto com as pessoas. No táxi do aeroporto até à estação de comboios precisou de apenas 7 minutos para que o taxista abrisse o seu coração e falasse acerca do seu divórcio e da sua vida como um pai sozinho.

Ultrapassar a solidão como uma estratégia de um activista político – este pode ser o mote para o trabalho da vida de Patch Adams – e com este objectivo ele chega a Tamera, Centro de Pesquisa para a Paz. A Conferência da Páscoa teve o título de „Criando Modelos para um Futuro sem Guerra“. Vieram trabalhadores pela Paz de muitos países e partilharam os seus conhecimentos e ideias sobre como construir uma cultura de Paz. Ady Gordon, um famoso jogador de basquetebol israelita, hoje em dia trabalhador pela Paz também participou, assim como Sami Awad, um especialista em não-violência e candidato a presidente de câmara em Belém, na Palestina.
Outros participantes foram: Arkan, um xamã e conhecedor da sabedoria indígena do Peru e dos EUA e guardião do Fogo Global, Clinton Callahan e Marion Krause, formadores para o movimento de Paz, Jürgen Kleinwächter, físico inventor e visionário para a energia solar, e Sepp Holzer, um incrível agricultor das montanhas da Aústria e professor de novas formas de produção biológica e de recuperação de paisagens. Sabine Lichtenfels, co-fundadora de Tamera e uma das mulheres nomeadas ao Prémio „1000 mulheres para a Paz“ em 2005, foi a anfitriã.

Todos os participantes concordaram em pelo menos um ponto: temos de mudar a solidão na sociedade, temos de criar comunidades. Temos de desenvolver tecnologias para soluções locais em problemas globais. E no fundo as pessoas têm de estar juntas, têm de ter contacto para serem saudáveis e tratarem umas das outras e do planeta. A comunidade de Tamera – um modelo de Ecoaldeia e Centro de Pesquisa para a Paz com 200 estudantes e colaboradores internacionais – baseia-se nestes fundamentos. E foram estes mesmos fundamentos que guiaram o Dr. Hunter Patch Adams da Virginia, nos EUA, há mais de 40 anos. Ele tornou-se famoso através do filme de Hollywood sobre si mesmo („Patch Adams“). Como um activista social, um palhaço e um médico tem viajado por todo o Mundo desde há 40 anos, tratando de crianças doentes, esfomeadas, solitárias, trazendo-lhes ajuda, contacto, cura – e o riso.

Patch Adams é um palhaço muito sério. „Desde muito cedo na minha vida descobri que ser palhaço era a maneira mais rápida de trazer amor às pessoas“, diz ele. „ A razão porque faço isto é para parar a violência: eu sonho com um mundo onde as pessoas não conhecerão mais o sentido da palavra guerra. Ser um palhaço pode ser uma estratégia para parar a violência em qualquer situação. As pessoas riem-se e esquecem-se que tinham estado em brigas“. Como médico ele verificou que a verdadeira saúde está baseada na felicidade, e a felicidade está baseada no amor e no contacto. A solidão é a maior doença do nosso tempo. Isto é verdadeiro em toda a parte no mundo. Nos seus videos vemo-lo a brincar com crianças em orfanatos na Rússia, a segurar crianças esfomeadas no Haiti, a dançar com pessoas com deficiência num parque do Peru, e a chorar sobre crianças maltratadas e mortas nos campos de refugiados de Kabul, do Kosovo e em Gaza. „O humor ainda é a melhor maneira para lidar com todo este sofrimento das pessoas, o humor que vem do coração e permite a compaixão“, acrescenta Patch Adams.
Para além das suas acções de paz e justiça em todo o mundo, Patch trabalha arduamente para concretizar o seu sonho: um hospital modelo que esteja aberto a todas as pessoas sem dinheiro, sem segurança social, sem hierarquias – o Instituto Gesundheit!. Tem trabalhado para este sonho durante quase 40 anos. Patch está muito empenhado nos seus sonhos, e para isso trabalha 7 dias por semana, 20 horas por dia, a viajar, a ser palhaço, a escrever, a falar com as pessoas, investidores, arquitectos e médicos. Ser famoso é uma ajuda. Todo o dinheiro que consegue vai para este projecto. Tamera foi para ele uma semana de paz e descanso entre amigos. „Faremos coisas em conjunto“, diz ele depois desta semana. „Vocês são para mim um exemplo daquilo que quero.“

More information: www.patchadams.org
Entrevista com Patch Adams

(copy 32)

(copy 36)

(copy 37)

(copy 38)

(copy 39)

(copy 40)