História
Os anos 60 assistiram ao pico da Guerra Fria, ao primeiro homem na lua, ao “verão do amor” e a revoltas estudantis em diversos países. Durante este período de rápidas mudanças, Dieter Duhm publica “Angst im Kapitalismus” [“Medo no Capitalismo”] – um sucesso de vendas no movimento de esquerda alemão. Na altura, ele cunha a frase “revolução sem emancipação é contra-revolução”, afirmando que uma revolução não pode ser bem sucedida no exterior a menos que decorra também interiormente. Apesar do entusiasmo inicial, o movimento de estudantes perde-se em lutas dogmáticas internas, desintegrando-se por fim. Duhm continua a sua busca, procurando estabelecer uma alternativa viável ao sistema de violência vigente.
- 1978
- 1983
- 1988
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Início do projecto
Em Maio de 1978, após vários anos de procura, Dieter Duhm cria a primeira experiência comunitária no sul da Alemanha, juntamente com Sabine Lichtenfels, Charly Rainer Ehrenpreis, Sarah Vollmer e outras oito pessoas. O projecto recebe o nome de «Bauhuette» (em alemão, «oficina dos construtores», numa referência à oficina templária usada durante a construção da Catedral de Chartres).
O objectivo é criar um centro de investigação interdisciplinar que atraia especialistas em biónica, arquitectura, segurança alimentar e novas tecnologias. O grupo percebe que não conseguirá criar soluções duradouras sem um enquadramento social sustentável e que é necessário examinar os conflitos interiores.
A pergunta central do projecto passa a ser: como podem as pessoas viver juntas, a longo prazo, numa relação de confiança?
1983
Experiência social
O número de participantes aumenta de algumas pessoas para 50, que se comprometem a permanecer juntas durante três anos na Floresta Negra para estudar como construir uma comunidade funcional. Mobilizando a sua intensa energia vital, exploram temas frequentemente ignorados: sexo, amor, poder e dinheiro. Vivem segundo o lema «nada do que é humano me é estranho», usando o teatro e a arte para redescobrir a verdade para além da alienação da nossa cultura e aproveitar as forças de cura da vida. Exploram directrizes relevantes para a criação de uma comunidade. Iniciam também experiências no domínio da investigação de vórtices, do tratamento de águas residuais e das técnicas de construção.
Desenvolvimento do «Fórum»
«Fórum SD» é uma abreviatura da palavra alemã «Selbstdarstellung», que significa auto-expressão. Os membros reúnem-se todos os dias no Fórum, onde revelam o que se passa dentro de si e entre si. Num espaço protegido, partilham os seus conflitos, alegrias e desejos ocultos sem receio de serem julgados. Neste espaço de solidariedade mútua, aprendem a exprimir-se através de representações teatrais, o que os liberta de ficarem interminavelmente presos a si próprios e de se levarem demasiado a sério. Percebem que ver é amar e que a verdade e a auto-revelação geram confiança.
Descoberta da liberdade sexual
Ao libertar o amor e a sexualidade do medo, a comunidade encontra o aspecto mais profundo e decisivo da sua investigação: a cura do amor. O ambiente de confiança criado na comunidade permite aos participantes viver algo que, de outro modo, seria difícil imaginar: exprimir abertamente e seguir a sua verdade erótica e estabelecer solidariedade entre homens que amam a mesma mulher, e vice-versa. Lançam assim as bases de um amor livre de ciúme, mentira e traição.
Plano dos Biótopos de Cura
A experiência social dá origem a uma visão de paz mais abrangente. Dieter Duhm começa por desenvolver a sua Teoria Política, com base na investigação sobre a forma como a informação molda os campos que regem o nosso comportamento colectivo. A partir daí, formula uma estratégia para a paz global, a alcançar por meio de uma rede de Biótopos de Cura e aldeias de paz que criem um campo propício a uma vida não violenta na Terra.
Campanha de difamação
Os meios de comunicação alemães reagem com indignação e, em meados da década de 1980, desencadeiam uma campanha de difamação. A comunidade responde publicando as suas conclusões e fontes de inspiração para uma cultura erótica de paz.
1988
Saída do projecto «Bauhuette»
A experiência comunitária na Floresta Negra termina e os participantes mudam-se para vários grupos urbanos mais pequenos na Alemanha e na Suíça. O grupo procura então locais onde instalar o seu projecto de paz global: um centro público de formação e um espaço de investigação independente para o primeiro Biótopo de Cura.
Criação da editora Verlag Meiga
O grupo dispersa-se e publica e promove o livro Rettet den Sex [Salvar o Sexo]. Entretanto, continua a reunir-se em acampamentos de Verão.
1991
ZEGG – «Centro Experimental de Concepção Cultural e Social»
Em 1991, no nordeste da Alemanha, membros da comunidade original criam uma organização chamada ZEGG, um centro comunitário e de formação sem fins lucrativos, que rapidamente se torna uma organização autónoma. Várias pessoas que actualmente trabalham em Tamera viveram e trabalharam anteriormente no ZEGG.
Publicação de «Eros não Redimido»
«Eros não Redimido», de Dieter Duhm, é publicado pela Verlag Meiga.
1992
Uma escuta mais profunda
Em paralelo, Dieter Duhm, Sabine Lichtenfels e algumas outras pessoas criam uma casa aberta e um centro de cura em Lanzarote. Alguns membros do grupo dirigem «La Massilia», uma versão inicial da «Escola do Amor». Outros dedicam-se à criação do «Kairos», um barco de investigação sobre golfinhos. Sabine começa a organizar acampamentos no deserto em Lanzarote e em Portugal para compreender o funcionamento da oração e receber visões. A partir deste trabalho, inicia uma investigação sobre as culturas matriarcais pré-históricas de paz, em particular em Portugal. Conhecido entre os antigos gregos como a «terra das serpentes», este território conserva ainda uma forte sabedoria feminina.
Criação de uma aldeia de paz
Durante os acampamentos no deserto, o grupo pergunta: «onde podemos criar um lugar que dê raízes ao projecto global dos Biótopos de Cura?» Portugal parece ser um bom local, por ter acolhido com frequência movimentos radicais ao longo da História. Como uma grande parte do território está ecologicamente degradada, é o lugar ideal para mostrar como é possível criar um paraíso num terreno árido.
1995
Fundação de Tamera
O grupo escolhe o Monte do Cerro, uma propriedade rural de 140 hectares de terreno não urbanizado, em forma de águia, no Alentejo. Durante uma meditação junto a uma nascente da propriedade, surge a Sabine o nome «Tamera». Mais tarde, descobrem que se tratava de uma antiga palavra egípcia que significava «terra da água» (e de um dos primeiros nomes usados para o próprio território do Egipto). Graças à generosidade de muitos doadores particulares, a propriedade é comprada em 1995.
Sonhar a terra
Em vez de aplicarem um plano director pré-concebido, vivem como artistas e seguidores da ecologia profunda, ligando-se ao sonho adormecido da terra que ali quer ganhar forma. Na sua primeira visão, vêem o grande lago que virão a construir em 2007. O reino animal acolhe-os com uma simpatia surpreendente e ocorrem encontros invulgarmente confiantes com animais selvagens. Começam a comunicar com seres visíveis e invisíveis e a receber orientações para a construção do Biótopo de Cura. Este trabalho virá mais tarde a dar origem à Terra Deva.
Infra-estruturas
Um pequeno grupo cria as infra-estruturas básicas, incluindo oficinas, ateliers, escritórios networking, salas de seminários e alojamento. São criadas hortas e projectos de reflorestação, tudo financiado por fundos particulares e donativos. Têm início experiências no domínio das energias renováveis e da ecologia.
Primeira Universidade de Verão
Participam 100 pessoas de muitos países diferentes. Este momento marca o início dos programas de formação e das conferências.
1996
Publicação de «Weiche Macht» [Poder Suave]
A Verlag Meiga publica o livro de Sabine Lichtenfels sobre a visão de um novo movimento de mulheres, baseado num novo amor pelos homens.
1999
O grande incêndio
A meio da noite de 31 de Janeiro de 1999, o grande salão da comunidade – o edifício principal de Tamera – incendeia-se. Grata por ninguém ter ficado ferido, a comunidade vê o edifício arder por completo. Depois de perder tudo, renova a sua união solidária para reconstruir.
A rede de solidariedade em torno de Tamera é forte e a ajuda chega de todos os lados. São construídas novas estruturas temporárias, como a tenda de conferências, cabanas, contentores, caravanas e casas de madeira, bem como um edifício permanente para o Instituto para o Trabalho Global pela Paz.
2000
Início do trabalho global pela paz
O Instituto para o Trabalho Global pela Paz é inaugurado e começa a estabelecer contactos e colaborações com activistas empenhados e figuras de referência, aldeias de paz, projectos educativos e movimentos sociais de todo o mundo. Este trabalho inclui a criação de laços de solidariedade com iniciativas corajosas do Sul Global, como a comunidade de paz colombiana de San José de Apartadó, bem como a realização de outras campanhas.
2001
Trabalho pela paz no Médio Oriente
Depois do início da segunda Intifada em Israel-Palestina, os colaboradores de Tamera percebem que já não é possível continuar a observar sem agir. Sabine Lichtenfels recebe uma meditação sobre como apoiar a paz no Médio Oriente, enviando-a a diversos parceiros e acelerando o desenvolvimento da nossa rede global.
Publicação de «A Matriz Sagrada»
A Verlag Meiga publica «A Matriz Sagrada», de Dieter Duhm, sobre a transição da matriz da violência para a matriz sagrada da paz, tendo os Biótopos de Cura como comunidades auto-suficientes do futuro, «estufas de confiança» e «pontos de acupunctura para a paz». O livro procura transmitir à geração seguinte os seus anos de investigação e conhecimento.
Uma fase da transição geracional: 2001–2006
Dieter Duhm e Sabine Lichtenfels começam a oferecer programas de formação para a paz destinados a jovens. Forma-se um grupo que inclui Benjamin, Robert, Vera, Mara, Juliane e outras pessoas com profundo conhecimento da filosofias de Tamera, para organizar a formação, ensinar outros jovens e trabalhar na criação do Campus Global. Esta geração de líderes permanece até hoje, apoiada pelos membros mais experientes do projecto.
2002
Primeiro Acampamento Internacional pela Paz
A visão de uma Aldeia de Investigação para a Paz no Médio Oriente desenvolve-se depois de um acampamento de três semanas. São feitas muitas viagens a este território para realizar acampamentos pela paz, com participantes de ambos os «lados». Um grupo de palestinianos, israelitas e participantes internacionais começa a trabalhar neste projecto, usando Tamera como espaço de formação.
2003
Rede Global de Ecovilas (GEN)
Tamera adere à GEN, uma aliança multilateral orientada para soluções, que fornece informação, ferramentas, exemplos e representação global à rede crescente de pessoas empenhadas em desenvolver e demonstrar princípios e práticas de sustentabilidade.
«Recusamo-nos a ser inimigos»
Um grupo de músicos israelitas e palestinianos e um grupo de teatro de Tamera faz uma digressão pela Alemanha e pela Suíça. A peça chama-se «Recusamo-nos a ser inimigos».
2004
Construção do Círculo de Pedras
Ao longo de cinco anos, são erguidas 96 pedras, representando os elementos arquetípicos de uma comunidade do futuro. Algumas têm cosmogramas gravados. O círculo é a «catedral natural» de Tamera. É aqui que se realiza o Círculo de Força, todas as segundas-feiras de manhã.
2005
Primeira Peregrinação Grace
Abalada pela ameaça de guerra contra o Irão, Sabine Lichtenfels inicia uma peregrinação pela paz, sem dinheiro, de Portugal ao Médio Oriente. Depois de vários meses, chega a Israel-Palestina com Benjamin von Mendelssohn e convida um grupo de 40 israelitas, palestinianos e participantes internacionais a juntarem-se à primeira Peregrinação Grace, caminhando por Israel e pela Cisjordânia em nome da paz, da justiça e da reconciliação. Sabine é uma das 1000 Mulheres pela Paz, nomeadas para o Prémio Nobel da Paz.
2006
Formação para a Paz Monte Cerro
Tem início o primeiro programa de formação para a paz. Cem pessoas de Tamera e cem activistas e estudantes começam um programa de estudo com a duração de três anos. Tamera atrai muitas pessoas e torna-se um lugar de experimentação para concretizar grandes visões.
2006–2007: construção da Aula
Sabine e a comunidade angariam fundos para o novo espaço comunitário através de uma peregrinação. Com capacidade para 400 pessoas e paredes de oito metros de altura, a Aula – o nosso auditório – é o maior edifício de adobe e fardos de palha da Península Ibérica, construído por membros da comunidade e amigos de Tamera. A comunidade de Tamera e todos os visitantes reúnem-se aqui todos os domingos de manhã e em ocasiões especiais.
Construção da Aldeia da Luz
Oito mulheres, na sua maioria com mais de 60 anos, constroem esta «Aldeia da Luz». O espaço acolhe oficinas de costura, olaria e plantas medicinais, todas construídas com adobe e madeira de origem local. Centro de saber feminino, com uma qualidade comunitária «de avó», é um espaço criativo de encontro e alojamento para todos.
Criação do «Campus Global»
Uma rede internacional de centros pela paz começa a trabalhar em conjunto. O trabalho inclui seminários, acções pela paz e peregrinações em Israel-Palestina, na Colômbia, no Brasil, no Quénia, no México e em Portugal. Em 2015, mais de 30 dirigentes das diferentes iniciativas deslocam-se a Tamera para aprofundar a sua formação e cooperação, orientados por Vera Kleinhammes e outras pessoas. Daí resultam vários encontros de formação na Colômbia.
Publicação do livro «Grace»
A Verlag Meiga publica o livro de Sabine Lichtenfels, «GRACE: Peregrinação por um Futuro sem Guerra», sobre a história de uma peregrinação à Terra Santa, a Israel e à Palestina.
2007
Construção da Paisagem de Retenção de Água
Em 2007, começa a construção da Paisagem de Retenção de Água, inspirada e apoiada pelo especialista austríaco em permacultura Sepp Holzer. Em 31 de Dezembro de 2009, o Lago 1 atinge a sua capacidade máxima. Prosseguem os trabalhos nas hortas de permacultura – lagos, charcos, valas de infiltração e socalcos – e na paisagem de água.
2007–2012: mais Peregrinações Grace
Em 2007, a Israel-Palestina; em 2008, à Colômbia; em 2009, em Portugal; em 2010, novamente à Colômbia; e, em 2012, de novo a Israel-Palestina.
2009
Construção do Campo Experimental Solar
Após cinco anos de colaboração com o físico Juergen Kleinwaechter, é construído este espaço experimental. Aqui, desenvolvemos e testamos invenções destinadas à autonomia energética solar e combinamo-las com a gestão da água e a produção de alimentos. As pessoas testam e usam estas tecnologias no dia-a-dia. Gradualmente, mais especialistas e colaboradores juntam-se à equipa e à rede alargada, como o especialista em biogás T. H. Culhane e a Blueprint Alliance. Saiba mais…
2011
Início do Simpósio Anual da Água
O primeiro simpósio anual sobre Paisagens de Retenção de Água, dirigido por Bernd Mueller, responsável em Tamera pela visão para a gestão da água, reúne especialistas em água, trabalhadores humanitários, representantes governamentais, empresários, doadores e jornalistas. A partir destes encontros, começamos a colaborar com uma rede global para promover e concretizar um novo paradigma da água como resposta à desertificação e às alterações climáticas.
2012
Lançamento da Escola Global do Amor
Parceiros de todo o mundo reúnem-se para a primeira edição da Escola Global do Amor, que passará a realizar-se anualmente. Os membros comprometem-se a reunir-se durante três anos. O objectivo é criar uma base ética duradoura – um núcleo de verdade, confiança e apoio mútuo – para uma rede internacional de indivíduos e comunidades que trabalham pela cura do amor em todo o mundo.
Menção Honrosa do Buckminster Fuller Institute
Tamera recebe uma Menção Honrosa pela Paisagem de Retenção de Água, depois de se candidatar ao Buckminster Fuller Challenge, um prémio de «Concepção Socialmente Responsável».
2013
Início da Rede Terra Nova e da formação online
Em Maio de 2013, começamos a disponibilizar materiais a grupos locais que estudam os fundamentos da Terra Nova. Em 2016, a nossa actividade de formação passa a centrar-se em cursos online.
Início da Rede Terra Nova
Em Maio de 2013, começamos a disponibilizar materiais para a formação de grupos locais dedicados ao estudo “Terra Nova”. Em 2016, a nossa actividade de formação passa a centrar-se em cursos online. Os planos para o futuro incluem a criação de uma plataforma global de comunicação para esta rede em crescimento.
United Religions Initiative
Tamera adere à United Religions Initiative, que promove uma cooperação inter-religiosa diária e duradoura, com o objectivo de pôr fim à violência de motivação religiosa e criar culturas de paz, justiça e cura para a Terra e todos os seres vivos.
2014
Início do processo «PIER»
Apresentamos um pedido de alteração da classificação do solo para podermos ampliar as infra-estruturas construídas. O Município de Odemira decide acompanhar-nos no processo PIER (Plano de Intervenção em Espaço Rural). O nosso plano é publicado sem que sejam apresentadas objecções; o processo continua em curso. Mais informações aqui.
Terra Nova: Revolução Global e a Cura do Amor
O livro de Dieter Duhm «Terra Nova: Revolução Global e a Cura do Amor» mostra como se organiza, a partir do interior, um campo morfogenético de paz e a que forças se pode ligar para se opor às forças globais da violência e, assim, tornar possível um futuro sem guerra. É publicado em alemão em 2014 e em inglês em 2015.
2015
Reforço da ligação com a rede regional
Reforçamos o nosso compromisso com a rede regional, criando alianças com municípios, agricultores biológicos e outras comunidades emergentes, para assegurar a sustentabilidade ecológica e social do Alentejo. No Outono de 2016, 30 pessoas de Tamera e parceiros locais fazem uma peregrinação ao longo da bacia hidrográfica do Sado para chamar a atenção para a situação da água e apresentar soluções.
2016
Uma viagem política ao Brasil
Um grupo de jovens de Tamera e os seus professores participa num intercâmbio de aprendizagem com dois projectos inspiradores nas favelas de São Paulo: o Projecto Âncora e a Favela da Paz.
Primeiro seminário LGBTQ+ em Tamera
Nessa altura, o massacre na discoteca Pulse, em Orlando – um crime de ódio dirigido contra a comunidade LGBTQ+ – recorda-nos profundamente por que razão este trabalho é importante: criar espaços seguros onde o amor possa ser celebrado.
2017
Início da Escola Akron
Tem início a formação interna em liderança e a formação espiritual contínua no nosso Ashram Político.
Encontro Defend the Sacred
Em Agosto de 2017, recebemos activistas, dirigentes de movimentos, anciãos indígenas e jovens de cerca de 40 países, com experiência em activismo sagrado, para conciliar a sabedoria indígena com um pensamento orientado para o futuro. O encontro dá origem a um manifesto sobre a forma como uma comunidade global em crescimento pode defender a vida, a água e um futuro digno de ser vivido em qualquer parte do mundo. Uma componente essencial é a acção artística aérea na Praia de Odeceixe para travar os planos de prospecção de petróleo ao largo da costa portuguesa, uma campanha em que começámos a participar em Janeiro de 2017. Saiba mais…
Concretização material
Compra de três hectares de terreno na aldeia vizinha de Relíquias, para manter aberta a possibilidade de crescimento apesar do embargo à construção.
2018
Celebração dos 40 anos
Celebrámos o 40.º aniversário do projecto com amigos e parceiros de todo o mundo.
Acção artística aérea contra a extracção de combustíveis fósseis em Portugal
Realizada com activistas portugueses e a «Defend the Sacred Alliance», na Costa do Vapor, perto de Lisboa. Dois meses mais tarde, os 15 contratos relativos a combustíveis fósseis são cancelados.
«A Onda»
É inaugurado em Relíquias um centro regional para uma vida sustentável. Teve de encerrar ao fim de três anos.
«And They Knew Each Other»
Os fundadores de Tamera publicam um novo livro.
Grupo de estudo sobre racismo
É criado em Tamera o primeiro grupo de estudo dedicado aos temas da supremacia branca, do poder e do privilégio. Mais tarde, em 2019, a autora Robin DiAngelo apresenta o seu trabalho à comunidade durante um fim-de-semana de palestras e seminários, levando-a a uma nova etapa no confronto com estes temas. Com o tempo, este processo conduz a uma investigação mais profunda sobre o poder, o privilégio e a influência que exercem na nossa comunidade e no mundo em geral.
2019
Defend the Sacred
Conferência «Defend the Sacred» para pessoas que promovem a mudança à escala global, com mais de 400 participantes, entre os quais anciãos indígenas, especialistas em regeneração e dirigentes de vários movimentos sociais e de justiça climática. É publicado o livro «Defend the Sacred», que apresenta as pessoas e os respectivos projectos que formaram a Defend the Sacred Alliance.
Viagens políticas
Peregrinação ao longo do Rio Mira com estudantes e colaboradores de Tamera, para chamar a atenção para a crescente crise da água e para as possibilidades de regeneração na nossa região.
O grupo de jovens de Tamera faz uma viagem de formação política aos Estados Unidos.
Despedida de um dos fundadores de Tamera
Charly Rainer Ehrenpreis, físico e co-fundador de Tamera, responsável pelo departamento de economia e empenhado nas tecnologias sustentáveis, deixou este mundo.
2020
Redescobrindo uma visão para Tamera
Com 40 participantes: «Onde vemos Tamera em 2030?»
Sem época de visitantes
Devido às medidas contra o coronavírus.
2021
Sem época de visitantes
Devido às medidas contra o coronavírus.
Tempo de consolidação
Encontro comunitário intensivo para dar início a um processo colectivo de consolidação, reajustar a nossa visão e o nosso propósito, trabalhar os conflitos entre gerações e desenvolver novos sistemas de governança. Acompanhamento e facilitação pelo colectivo Nonviolent Global Liberation.
«Marcha pela Água»
Uma marcha com centenas de pessoas em Odemira contra a agro-indústria e a favor de uma gestão regenerativa da água.
2022
Época de visitantes limitada
Devido às medidas contra o coronavírus.
Primeira Marcha do Orgulho LGBTQ+ de Tamera
Em Junho, a marcha percorre as colinas de Tamera. É um momento colorido de visibilidade, solidariedade e celebração que envolve a comunidade, os visitantes e a rede local.
Encerramento da Fundação GRACE
Uma plataforma de angariação de fundos destinada a ajudar a redireccionar dinheiro, conhecimento e influência para projectos em prol de uma sociedade não violenta, da autonomia regenerativa, da formação e do Campus Global. Financiou peregrinações, actividades do Campus Global, infra-estruturas de Tamera e a participação de activistas no trabalho dos Biótopos de Cura.
Foi inspirada por uma visão que Sabine Lichtenfels e Benjamin von Mendelssohn tiveram em 2005, durante uma caminhada pelo Caminho de Santiago, e foi fundada em 2007 por Sabine Lichtenfels e Rainer Ehrenpreis.
Dissolução do «Carrier Circle»
Após vários anos de trabalho, decidimos pôr fim ao órgão de tomada de decisão de Tamera, composto por cerca de 20 membros. Uma equipa assumiu a tarefa de organizar, ao longo do ano, novos encontros e grupos de trabalho sobre questões de reestruturação, acordos comuns e propósito actual.
2023
Criação do «Co-Holding Group»
Um grupo dedicado de membros da nova geração quer desenvolver novos métodos de governança, orientação, estruturas de decisão e aprofundamento da consolidação de Tamera. Tamera adopta um sistema de decisão distribuído, inclusivo e horizontal. Nestes relatórios, pode ler-se como lidámos com os grandes desafios da transição entre gerações.
«Vale da Gema»
Surge uma iniciativa conjunta de proprietários de terrenos e activistas da água para promover a recuperação ecológica e a retenção da água na bacia hidrográfica que partilhamos.
Viagens políticas
Peregrinação da Defend the Sacred Alliance à Índia.
Os jovens viajam até Damanhur.
Primeira Marcha do Orgulho em Vila Nova de Milfontes, integrada no primeiro Curso Comunitário LGBTQ+.
2024
O documentário «The Village of Lovers»
Três cineastas intrépidos – Ian MacKenzie, John Wolfstone e Julia Maryanska – passaram vários anos a participar na Escola Global do Amor e a estudar o trabalho de Tamera, para compreender e comunicar a visão e a cultura da nossa comunidade. Ao fim de oito anos, o trio realizou finalmente um filme que explora as histórias passadas e actuais de Tamera.
O documentário de Tamera «Water is Love»
O filme acompanha jovens que procuram respostas concretas para a crise climática. Através de histórias de comunidades na Índia, no Quénia e em Portugal, mostra como a recuperação dos ciclos da água pode regenerar paisagens, reforçar a resiliência e trazer esperança. Convida o público a ver a água não apenas como um recurso, mas como uma força viva no centro da recuperação da nossa relação com a Terra.
Prémio Nacional de Ambiente 2024 da Quercus
Tamera recebeu o Prémio Nacional de Ambiente 2024 da Quercus, uma das principais organizações ambientalistas portuguesas. O prémio reconhece o trabalho de longa data de Tamera no domínio da resiliência ecológica, das práticas regenerativas e da educação ambiental centrada na comunidade. É um incentivo a continuar a desenvolver e partilhar modelos para um futuro sustentável, assente na cooperação com todos os ecossistemas.
Cerimónias e acções políticas
Tamera realizou meditações e encontros pela paz, participou em manifestações e publicou artigos para chamar a atenção para o genocídio em Gaza. Alguns membros da comunidade responderam ao apelo internacional para a Marcha para Gaza.
Ritual Colectivo de Luto para todos os colaboradores de Tamera.
Foi criado em Tamera o Sino da Paz.
Realizou-se em Tamera o primeiro «Retiro Kairos», com 25 participantes da comunidade: uma imersão colectiva profunda na auto-reflexão, na verdade e na transparência.
2025
Celebração dos 30 anos de Tamera
Com três eventos principais: um interno (a geração pioneira, as pessoas que estudaram durante a formação para a paz Monte Cerro e antigos membros da comunidade – um tempo de celebração, reflexão e cura); um local (com vizinhos e parceiros de cooperação); e uma Universidade de Verão aberta ao público, «Construir Comunidade em Tempos de Crise Global», com mais de 200 pessoas de comunidades intencionais, projectos de intervenção directa e outros movimentos.
Conclusão do processo PIER
Após 11 anos de investimento no processo PIER com as autoridades, a Câmara Municipal declara válida, em concertação com os vários ministérios envolvidos, a fase de planeamento mais importante para a alteração do plano de uso do solo de Tamera.
O «Steering Council» substitui o «Co-Holding Group»
Depois de dois anos de compromisso e após um mês de reflexão, o «Co-Holding Group» é dissolvido e é criado o «Steering Council». Trata-se de um órgão de direcção e coordenação interna de Tamera, composto por quatro membros da comunidade.
Encerramento do projecto dos cavalos
O projecto explorou a comunicação não violenta, a confiança e o respeito mútuo entre seres humanos e cavalos, opondo-se à dominação e à «quebra» da vontade do animal. Desde 1997 que há cavalos no terrenos de Tamera. Foram vistos como mestres da presença, da clareza, da consciência corporal e da honestidade emocional, oferecendo reacções imediatas e isentas de julgamento que ajudaram as pessoas a reconhecer padrões, desenvolver sensibilidade e construir relações mais verdadeiras. O projecto apoiou também a formação de jovens, a recuperação de traumas e a investigação de formas mais naturais de criação de cavalos e gestão de pastagens.
20
2026
1000 mm de chuva!
Depois de um Inverno excepcionalmente chuvoso em Portugal, a Paisagem de Retenção de Água de Tamera voltou a demonstrar o seu valor.
Tamera abre-se a novos membros
Início do «Juntar-se a Tamera: Programa de Formação e Participação de Três Anos». Depois de mais de dez anos sem acolher novos colaboradores, Tamera entrou numa nova fase de crescimento.